Depois do vinhedo, a próxima etapa do tour será na fábrica, para aprender sobre o processo de vinificação, desde a preparação do mosto e fermentação até o amadurecimento e envase da bebida. Como a estrutura só deve ser concluída em 2021, inicialmente o passeio será “desviado” para a bodega provisória instalada no charmoso chalé principal. É onde ocorre a degustação com vista para as colinas que dão nome à vinícola. Nos dias frios do inverno, a experiência fica mais intimista, em torno da lareira.
Mas a grande área ao ar livre convida mesmo é a passear sem pressa e escolher um dos muitos cantinhos pensados para um piquenique à beira do lago. O reservatório é formado por nascentes da região que deságuam no Rio Mundaú. Além de contribuir para o sistema de irrigação dos parreirais, garante entretenimento até para a criançada, com pedalinhos e o parque natural do entorno. Patos, pavões e pássaros da região são companhias certas por ali.
EM BUSCA DE MAIS PRODUTORES
Com as bases criadas no projeto de Brejão e a experiência da Vinícola Vale das Colinas, a expectativa agora é consolidar o terroir da região de Garanhuns com novos empreendimentos. “Queremos que outros produtores se entusiasmem com essa possibilidade”, salienta Patrícia de Souza Leão, da Embrapa.
Aos interessados, ela avisa que a instituição está aberta a parcerias, inclusive para avançar no desenvolvimento de novas alternativas de cultivo. Os próximos passos, diz a especialista, incluem o teste de variedades para a produção de suco, cuja adaptação podem ser até mais rápida que a das uvas viníferas. “Estamos esperando financiamento para seguir adiante”, conta.
m paralelo, também é preciso aperfeiçoar as técnicas de manejo, afirma o professor da Ufape Mairon Moura. “Se conseguirmos reduzir o ciclo produtivo, hoje de até 140 dias, podemos ganhar em qualidade. Trabalhamos, ainda, para diminuir ao máximo o uso de defensivos agrícolas, necessários por causa da alta umidade do ar”, explica.
A despeito dos desafios, ambos os especialistas destacam que a produção de uvas e vinhos em Garanhuns pode diversificar e enriquecer a matriz econômica no campo, hoje focada no cultivo de mandioca, milho e feijão, além da pecuária leiteira.
O potencial de geração de empregos, até 5 por hectare, é outro ganho relevante ressaltado pelos pesquisadores. “Supera a de qualquer outra cultura agrícola”, atesta Patrícia.
Resguardadas as proporções, Garanhuns deve seguir os passos do Vale do São Francisco, que iniciou a vitivinicultura no Estado na década de 60. Hoje, a região produz cerca de 8 milhões de litros de vinho e emprega 5,6 mil trabalhadores (somadas a lavoura e a indústria).
Texto, fotos e produção da Matéria - Mona Lisa Dourado, para o JC