
Por Carlos Janduy - A 25ª MOSTEV - Mostra de Teatro da Vitória, realizada de 21 de novembro a 3 de dezembro deste ano, contou em sua programação com espetáculos de várias cidades pernambucanas. De Garanhuns, dois foram selecionados:
A Dama da Noite, livre adaptação do conto de Caio F. Abreu, com direção de Pacheco Neto e atuação de Marcelo Francisco, e O Laço de Ouro, de Julierme Galindo, que também assina a direção, tendo no elenco Beatriz Munique e Duvennie Pessôa.
No primeiro, “a personagem principal se autodenomina Dama da Noite, uma mulher que, como a flor que recebe esse nome, apenas mostra seu verdadeiro perfume; à noite e seu ouvinte (e interlocutor) é um sujeito que ela apenas chama de boy. A Dama da Noite é a própria imagem do desencantamento e a roda em que ela tanto divaga, é a imagem de uma vida que a ela não quis ou não pôde seguir, talvez por ser excluída de uma sociedade modelo em que todos têm que ter carro, filhos, emprego e apenas um parceiro fixo”.
O segundo, apresentado no 30º Festival de Inverno de Garanhuns, “conta a história de perdas, violência e saudade da família Américo, através da manutenção da tradição do Laço de Ouro que, no espetáculo, simboliza tanto as habilidades necessárias para a lida sertaneja quanto a hombridade que os Américo esperam de seus membros do sexo masculino”. “...Ao mergulhar nessa história de tradições e de um crime devastador para a família Américo, é impossível não ser laçado ou laçada pelas perdas, espera e saudade de entes queridos ou pelas vitórias, dores, ódio e angústia de cada uma das personagens de Julierme Galindo”.
A Dama da Noite, da Cia. de Teatro Popular de Garanhuns, conquistou o prêmio de Melhor Ator (Marcelo Francisco) e indicações a Melhor Espetáculo, Melhor Direção, Melhor Iluminação, Melhor Maquiagem e Melhor Sonoplastia. A peça está na programação do Janeiro de Grandes Espetáculos 2023 (Recife).
O Laço de Ouro, da Troupe Azimute, recebeu indicações a Melhor Atriz (Duvennie Pessôa), Melhor Cenário, Melhor Figurino e Melhor Texto Inédito; este será lançado pela editora Asas da Literatura, de Portugal; é o segundo livro de Julierme Galindo, contendo texto teatral, a ser publicado.
“A MOSTEV é considerada um Patrimônio Cultural da Vitória de Santo Antão, um dos festivais de teatro mais tradicionais e consolidados do estado de Pernambuco, bem como, carrega em sua trajetória a responsabilidade por manter vivo o movimento teatral da cidade, não só com a formação de um público que consuma tetro no município, comentou Lázzaro Santos, historiador, ator e coordenador de produção do evento”.
O evento, sediado no Teatro Silogeu José Aragão, além das apresentações de espetáculos infanto-juvenis e adultos, contou também com bate-papo sobre a Lei Paulo Gustavo, oficinas de iluminação e história do teatro - compreensão da ação.
O teatro de Garanhuns (refiro-me à literatura, à dramaturgia, à montagem, à atuação/interpretação), graças a sua resiliência, está vivo e merece aplausos, e aqui vão os meus fervorosos para os componentes dos grupos que marcaram presença na MOSTEV e na vasta programação da Mostra Marcos Freitas – Território das Artes 2022, realizado recentemente pelo CPC SESC, como também para outros que, em meio às dificuldades de sempre, continuam batalhando pelas artes cênicas da Terra de Simôa. Evoé!
(Carlos Janduy)













