
Por Roberto Almeida - O corpo do advogado garanhuense Ivan Rodrigues da Silva, que morreu ontem, aos 94 anos, no Recife, será velado a partir das 8h da manhã de hoje, na Câmara Municipal, o sepultamento será às 16h.
O corpo do advogado garanhuense Ivan Rodrigues da Silva, que morreu ontem, aos 94 anos, no Recife, será velado a partir das 8h da manhã de hoje, na Câmara Municipal, o sepultamento será às 16h.
A última morada do arraesista e socialista histórico será o cemitério de São Miguel, no bairro da Boa Vista.
Lá estão pessoas de sua família, ficará perto deles, e de Dominguinhos e Augusto Calheiros.
A notícia da morte de Ivan me chegou por volta das 20h, desta terça.
O primeiro a me informar foi o jornalista Ciro Carlos, com quem trabalhei no Jornal do Commercio, nos anos 80.
Depois outro amigo jornalista da capital, Ruy Sarinho, acrescentou novas informações.
Com pouco a notícia já estava no blog do Magno e o nosso Edney também escreveu as primeiras linhas a respeito da perda de Ivan ainda ontem.
Como tive uma jornada cansativa, nas terça, preferi deixar para as primeiras horas desta quarta-feira o registro da partida do velho combatente da esquerda.
Inteiro, agora cedo, acredito que posso produzir um texto mais lúcido, à altura do que representou o advogado para as lutas políticas de Garanhuns e de Pernambuco.
Ivan Rodrigues foi vereador do município por dois mandatos, um exercido no final dos anos 50 até 1963, outro na década de 70.
Foi do antigo o MDB, um partido que nos anos de chumbo da ditadura tinha o respeito do povo brasileiro.
Militou ao lado de personagens como Cristina Tavares, Marcos Freire, Jarbas Vasconcelos (quando este ainda não tinha se aliado a direita), Miguel Arraes, Eduardo Campos e Paulo Câmara.
Esteve com Arraes nas três eleições que o cearense disputou e venceu em Pernambuco, tendo trabalhado em seus governos.
Fez a migração do MDB para o PSB com Miguel Arraes e seguiu fiel ao ideário socialista com Eduardo e Paulo.
Ele disputou mandato de deputado estadual e a prefeitura de Garanhuns, porém não teve êxito. Foi na época em que ser oposição era difícil e perigoso, porque o Brasil vivia os horrores do regime militar.
Mas já com o país redemocratizado atuou na campanha que levou Arraes de volta ao Palácio das Princesas e, 10 anos depois, em Garanhuns, foi articulador importante da candidatura de Silvino Duarte à prefeitura, pelo PSB.
Eleito prefeito, o médico trocou as hostes socialistas pelo PMDB de Jarbas, que já aliado a Marco Maciel se elegeu governador em 1998.
Ivan, logicamente, não teve culpa da mudança do prefeito eleito sob as suas bênçãos, apontada por alguns como traição.
O advogado e militante político não exerceu mais mandatos depois que foi vereador, mas com prestígio político no Palácio do Governo sempre procurou atuar em favor da cidade que amou a vida toda.
A casa de Ivan Rodrigues, em frente a Praça da Fonte Luminosa, é um símbolo da Garanhuns do passado, presente na cidade dos dias atuais, como um verdadeiro patrimônio cultural da Suíça Pernambucana.
O garanhuense, filho de dona Maria do Carmo e Zé Batatinha (que foi deputado estadual) viveu muito, mantendo alto astral até o fim. Numa das últimas visitas de Paulo Câmara a Garanhuns, quando o governador veio anunciar investimentos na cidade, em ato na quadra da Escola Técnica Ariano Suassuna, me deparei com Ivan na rua, no meio do povo, ágil como um rapaz moço, embora já tivesse na ocasião 93 anos.

Ivo Amaral, que se elegeu prefeito numa eleição em que teve como adversário o emedebista, tornou-se um grande amigo. Também me ligou ontem à noite, depois de Ciro e Ruy e fez questão de expressar seus sentimentos com a perda do notável garanhuense.
Para Ivo, Ivan Rodrigues deixa um legado importante para o município e o estado. "Foi um homem de princípios, coerente, sempre de um lado, que praticou a boa política, pensando em Garanhuns e em Pernambuco", comentou o ex-prefeito, o criador do Festival de Inverno.
Hoje toda a imprensa pernambucana escreve sobre o garanhuense ilustre que partiu.
O prefeito Sivaldo Albino divulgou nota de pesar e decretou luto oficial no município. João Campos, gestor da capital e o governador Paulo Câmara também divulgaram notas expressando os sentimentos pela morte de Ivan.
Antes de partir, alguns anos atrás, o velho socialista sofreu alguns baques, perdas que doeram muito: o filho José Ivan, também advogado, morreu ainda jovem; Rodrigues ficou também sem a companheira de uma vida, Dona Dulce, e viu partir o irmão, médico, pessoa também extraordinária, Ivaldo Dourado.
Agora Ivan Rodrigues vai reencontrar todos eles: Miguel Arraes, Marcos Freire, Gregório Bezerra, Mansueto de Lavor, o vereador Pedro Leite, o jornalista Humberto de Moraes, o filho Zé Ivan, o irmão Ivaldo e a querida esposa Dulce.
Ivan é dos últimos da geração de Arraes. Leva consigo os sonhos de um Brasil melhor, de um país sem ditadura, sem tortura, sem milicianos, que ofereça melhores condições de vida para o povo, promova a igualdade e a justiça social.
Ivan Rodrigues da Silva, presente!

*Fotos: 1) Ivan Rodrigues (site da Secretaria da Casa Civil); 2) Ivan com Ivo Amaral; 3) José Ivan com o pai (as duas últimas reproduzidas do blog de Edney Souto).













